Aveleda, Festa dos Rapazes

Em Aveleda a festa dos rapazes inicia-se no dia de Todos-os-Santos, dia em que os rapazes se reúnem pela primeira vez, com o objectivo de recolher lenha. Esta é posteriormente cortada, carregada e transportada até à aldeia, onde é vendida. O preço da sua venda reverte totalmente para a organização da festa, ou seja, para pagamento das despesas que os rapazes terão com a mesma.

Nos dois sábados anteriores ao Natal são feitas rondas nocturnas pela aldeia, nas quais, para além dos moços, participam os gaiteiros contratados pelos rapazes, e a música dos bombos – ao invés deste, antigamente, era usado um tambor.

Benjamin Pereira, no seu livro Máscaras Portuguesas afirma que era o dia 23 de Dezembro que ocorria esta ronda nocturna, cujo objectivo ainda se mantém: esta ronda é um convite, feito pela mocidade, a todos aqueles que querem participar na festa.

Crê-se que nesta altura a festa já está completamente organizada e preparada – preparação essa que ficou a cargo dos “mordomos”. Estes contratam um gaiteiro – é essencial para a festa ocorrer e já o vimos presente nas rondas nocturnas anteriormente mencionadas –, e os próprios rapazes fazem o acompanhamento do bombo e da caixa.

Compra-se a carne (vitela), o vinho e outras bebidas – todos os géneros alimentícios são comprados em abundância. Eram os rapazes que preparavam a refeição e que matavam a vitela no dia 24 de Dezembro, mas hoje contratam-se duas cozinheiras.

Os jovens reúnem-se na antiga residência paroquial, «para a tomada de decisões, para os ensaios das comédias, para a guarda dos utensílios, indumentárias, máscaras e outros adereços e para as refeições em comum» (TIZA, 2004:39). É deste mesmo local que partem e chegam todos os ritos e momentos cerimoniais.

Na véspera de Natal (24 de Dezembro) ocorrem os últimos preparativos: após a consoada com a sua família os jovens reúnem-se, formando assim uma nova família apenas composta por eles, e ensaiam as quadras que irão dizer durante o colóquio, no dia seguinte. Experimentam ainda os fatos, ajustam o que for necessário, preparam as partidas e as vítimas a que as mesmas se destinam

No dia de Natal (25 de Dezembro) ainda ocorre a alvorada, por volta das sete horas da manhã, na qual o gaiteiro também participa. Segue-se a missa, na qual o grupo de rapazes tem um local especial que lhe é reservado, junto ao altar-mor. É após o acto litúrgico da missa que todos os rapazes assumem a figura de mascarados, a fim de cumprir o momento seguinte: a recitação das loas, que eram proferidas no dia 26 de Dezembro.

Após este momento de crítica social que, no entanto, ninguém deve levar a mal, é efectuada uma ronda que dá a volta à aldeia. Nestas rondas os “caretos” exercem um papel activo: intrometem-se com raparigas e angariam dinheiro para si mesmos. Convém mencionar que estes momentos podem ser acompanhados de uma gaiteira (num ano ou noutro), papel antes assumido por homens.

No almoço são nomeados e escolhidos os novos mordomos e, finalmente, ao jantar, as raparigas são convidadas a fazer parte da festa.

Os mascarados estão presentes em todas as rondas.

A meio da tarde do dia 25 de Dezembro ocorria um baile. Por volta das dezanove horas é a ceia, seguida de um baile que terminava à uma hora da manhã.

Dia 26 de Dezembro havia ainda um almoço, uma ronda, o baile e uma última refeição, seguida de outra ronda. Nesta última os rapazes pedem enchidos com os quais “fazem a sobreceia” (PEREIRA, 1973: 32).

 

Fatos dos “caretos” de Aveleda

Os fatos destes “caretos” são todos cobertos por franjas coloridas, inclusive o capuz.

Ao pescoço e à cintura os “caretos” trazem chocalhos.

A máscara, de lata ou de madeira, é feita pelos jovens. Podem ser pintadas de vermelho, amarelo, branco, preto.

Geralmente o nariz é bastante saliente e pontiagudo, sendo a zona dos olhos e da boca vazada.

 

Fontes e Bibliografia:

PEREIRA, Benjamim, 1973, Máscaras Portuguesas, Lisboa, Museu de Etnologia do Ultramar.

PEREIRA, Benjamim [coord.], 2006, Rituais de Inverno com Máscaras, Bragança, Instituto Português de Museus.

PESSANHA, Sebastião, 1960, Mascarados e máscaras populares de Trás-os-Montes, com desenhos de Mily Possoz, Lisboa, Livraria Ferin.

TIZA, António Pinelo, 2004, Inverno Mágico, Ritos e Mistérios Transmontanos, Lisboa,Ésquilo,