Baçal – Festa dos rapazes e Reis

Mais uma vez, em Baçal, estamos perante uma similitude entre a festa dos rapazes e dos Reis, pois é o grupo de jovens, representado por dois mordomos, que dinamiza a festa dos Reis. No entanto, são as mulheres que preparam as refeições comunitárias exclusivas aos homens.

A comemoração da festa dos Reis passou a ser feita no fim-de-semana mais próximo do dia 6 de Janeiro.

Uns dias antes do começo da festa dois mordomos e alguns rapazes por eles escolhidos fazem uma ronda, convidando outros rapazes a participar na festa.

No primeiro dia da festa, que agora é o sábado, faz-se uma alvorada ao som da música tradicional, que pretende juntar todos os participantes na festa.

Ocorre de seguida a “ronda das chouriças”, durante a qual se deseja bom ano e, simultaneamente, se faz um peditório. Todos os alimentos que os jovens recebem, geralmente de fumeiro, são colocados na vara dos mordomos.

Na ceia continuam presentes apenas os rapazes, e o convívio continua pela noite fora, podendo todo o povo participar neste, inclusive as raparigas.

Já no dia correspondente ao dia de Reis ocorre uma outra alvorada a fim de juntar todos os rapazes.

Realiza-se um almoço no qual podem participar pessoas que ajudaram na festa – saliento o papel de divulgação feito pelos media – bem como entidades da localidade importantes – pároco, presidente da junta, etc.

Ao jantar acedem as raparigas por convite.

Os rapazes reúnem-se uma última vez, no terceiro e último dia de festa, durante um jantar.

 

Actuação dos mascarados

Antes dos colóquios serem apresentados em praça pública é feita uma ronda, durante a qual aparecem pela primeira vez os “caretos”. O povo vai-se juntando e vão todos para um largo, no qual irão ser recitadas as loas.

Os “caretos” também estão presentes numa ronda feita a todos os habitantes locais.

 

“Caretos” de Baçal

Os fatos destes “caretos” são feitos de serapilheira e adornados por fitas coloridas.

As suas máscaras podem ser de madeira, latão, cortiça ou, ou mais recentemente de palha. De um modo geral apresentam formas grotescas. A zona dos olhos é vazada, tal como a da boca. Em algumas máscaras são visííveis dentes.

 

Fontes e Bibliografia:

LOPES, Aurélio, 2000, A Face do CaosRitos de Subversão na Tradição portuguesa, Alpiarça, Garrido artes gráficas.

PESSANHA, Sebastião, 1960, Mascarados e máscaras populares de Trás-os-Montes, com desenhos de Mily Possoz, Lisboa, Livraria Ferin.

TIZA, António Pinelo, 2004, Inverno Mágico, Ritos e Mistérios Transmontanos, Lisboa, Ésquilo.