Bruçó, Festa dos Velhos

Ao contrário do que acontece em muitas localidades, em Bruçó existem quatro mordomas e são elas que organizam a festa. Por isso, são as mordomas que escolhem as figuras mascaradas que hoje em dia actuam nesta festa: um casal de velhos – um representa uma “velha”, ainda que ambos os papéis sejam assumidos por jovens do sexo masculino – sendo este o par principal da festa, e o outro casal, constituído pelo soldado e pela “sécia”, cuja função se prende com uma maior ociosidade e entretenimento. Antigamente também marcava presença na Festa dos “Velhos” a figura do “chocalheiro”.

É no dia de Natal (25 de Dezembro) que estas figuras se reúnem na casa da principal mordoma e daí partem para um peditório para o altar de Nossa Senhora.

Ocorre uma missa, após a qual os dois casais de mascarados saem à rua: começa a ronda do peditório. Para além de os mascarados recolherem as ofertas durante esta ronda do peditório, os mesmos também encenam afincadamente os seus papéis, sobretudo a “sécia” e o soldado. Por oposição, claro, os “velhos” tentam manter a ordem social que este casal, constituído por uma mulher com uma vida dúbia, quebra.

Para além das simulações do casal com “menos fama”, os “Velhos” têm de lutar com os jovens que intentam contra eles, ou seja, jovens que também actuam contra a ordem normal e que os “Velhos” vencem – basicamente, este casal de mascarados rebenta as bexigas de porco cheias de ar que os jovens possuem.

Esta luta entre opostos mostra afinidades com as festas dos rapazes, nomeadamente com o que diz respeito à inserção na idade adulta, à destreza física e à manutenção da sociedade em geral, em relação com ritos agrários.

A figura do “Zangarrão”, que saía no dia de Ano Novo e no dia de Reis, desapareceu.

 

Máscara

A máscara é feita de plástico. É toda branca, excepto a zona da boca (vazada), que é pintada de vermelho, tal como a zona dos olhos (sobrancelhas e pestanas).

 

Fontes e Bibliografia:

PESSANHA, Sebastião, 1960, Mascarados e máscaras populares de Trás-os-Montes, com desenhos de Mily Possoz, Lisboa, Livraria Ferin.

PEREIRA, Benjamim, 1973, Máscaras Portuguesas, Lisboa, Museu de Etnologia do Ultramar.

TIZA, António Pinelo, 2004, Inverno Mágico, Ritos e Mistérios Transmontanos, Lisboa, Ésquilo.