Festa de Santo Estêvão

A festa em honra a Santo Estêvão ocorre entre os dias 25 de Dezembro e o fim do ano, sendo a festa organizada e dirigida pelos jovens das diversas localidades onde esta se realiza.

Ocorre em aldeias do concelho de Bragança, Vinhais e Mirandela, e é um culto a Santo Estêvão, no qual se dá uma simbiose entre elementos religiosos, profanos e mágicos.

De um modo geral em todas as localidades onde se celebra esta festa existem elementos e momentos em comum. Verificamos a existência das rondas (podem ser simultaneamente peditórios), durante as quais os jovens saúdam as pessoas, dançam, comem e bebem. A missa em honra a Santo Estêvão, momento da esfera do sagrado, onde é obrigatório todos os jovens estarem presentes. O pão parece ser um alimento bastante importante e que pode demonstrar a ligação desta festa a ritos agrários. Além disso, existem outros momentos significativos de carácter lúdico, como a corrida da rosca e a "galhofa", que visam demonstrar a virilidade e destreza física dos rapazes – é devido a aspectos como este que a festa de Santo Estêvão se pode confundir com a festa dos rapazes.

A Mesa de Santo Estêvão é uma refeição comunitária, que ocorre num largo ou em frente à igreja da localidade, portanto ao ar livre. Pode-se considerar, juntamente com as rondas, como pertencendo à esfera profana da festa.

Os alimentos que estão em geral presentes são o pão – este é benzido pelo padre durante a missa, sendo depois distribuído por todos os que se encontram presentes –, vinho, vitela e frutos da época. Convém mencionar que o pão benzido e dado aos chefes de família é por estes guardado, uma vez que se acredita que tenha capacidades curativas, nomeadamente sobre os animais (este aspecto demonstra uma forte vinculação à agricultura e pastorícia) – serve “para livrar a cria do mau olhado” (PEREIRA, 1973:94).

No topo da mesa sentam-se o sacerdote e os mordomos, tanto os velhos como os novos, pois é após a refeição que se efectua a transmissão do actual “rei” para o jovem que efectuará esse cargo no ano seguinte – o sacerdote retira a coroa do “rei” e cede-a ao novo, tal como faz com os ceptros/varas. No entanto, as figuras com um poder central quer na localidade, quer na organização da festa, podem sentar-se numa mesa à parte, como ocorre em Grijó de Parada.

Quando a refeição termina, o padre pode benzer a mesa e os frutos, tal como rezar pelos mortos.

 

Fontes e Bibliografia:

Actas do Congresso A Festa Popular em Trás-os-Montes, 1995, Bragança, ed. do Nordeste Lda.

“Festas dos Rapazes e de Santo Estêvão”, Ethnologia – Revista do Departamento de Antropologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/UNL, nº 3/4, Ulmeiro, número duplo, Outubro 1895/Setembro 1986: 261-264.

PEREIRA, Benjamim, 1973, Máscaras Portuguesas, Lisboa, Museu de Etnologia do Ultramar.

PEREIRA, Benjamim [coord.], 2006, Rituais de Inverno com Máscaras, Bragança, Instituto Português de Museus.

TIZA, António Pinelo, 2004, Inverno Mágico, Ritos e Mistérios Transmontanos, Lisboa, Ésquilo.