Glossário

Arrematação: leilão.

“Bulhacas”: fruto do carvalho.

Canhoto: cepa, raiz.

“Charolo”: estrutura em madeira repleta de géneros alimentares (produtos de fumeiro, etc.) e com elementos decorativos.

Corrida da rosca: a corrida da rosca consiste numa prova de velocidade, realizada por dois jovens de cada vez. O mesmo par de jovens pode ter de repetir a corrida até três vezes, a fim de se saber qual é o vencedor. Visa, acima de tudo, testar a virilidade e a destreza física do rapaz que é posto à prova.

“Chocalhar”: o acto de chocalhar assemelha-se a uma dança erótica, de cariz sexual. O “careto” aproxima-se da sua vítima, as mulheres, que atinge nas ancas, com os chocalhos que enverga na cintura.

Embude: funil de grandes dimensões.

Encamisada: a encamisada é um cortejo nocturno no qual participa toda a população, usando máquinas agrícolas ou até mesmo animais. Pode-se dizer que o seu grande objectivo é saudar os moradores locais. Cada pessoa mascara-se e faz uma encenação burlesca da personagem que quiser, podendo ainda fazer uma espécie de crítica social.

“Facanitos”: os “facanitos” são crianças que se mascaram de “caretos”.

“Gajata ou cajato”: bengala.

"Galhofa”: este ritual consiste numa luta, corpo a corpo, entre dois jovens. Visa testar a sua habilidade e destreza física. Pode estabelecer-se relação entre estas e a chega de bois, pois, a performance tem como inspiração a chega de bois, imitando os movimentos corporais dos animais em luta.

Loas: também conhecidas por “comédias” ou “colóquios”, são quadras satíricas proferidas por um “careto”, em praça pública. Podem ser acompanhadas de representação teatral. No final de cada quadra os outros “caretos” gritam e saltam. Foram recuperadas depois do 25 de Abril. Ao fim ao cabo, as loas são uma crítica social efectuada perante toda a comunidade – uma situação do registo particular passa a ser conhecida em praça pública – que, apesar de apresentar somente uma função jocosa, pretende expurgar as acções feitas por elementos da sociedade que fogem à conduta social aceite.

Mandas: licitações.

Meirinho: juiz.

Mordomia: a mordomia diz respeito ao grupo de rapazes que organiza as diferentes festas. Os seus nomes podem variar consoante a localidade mas, de um modo geral, dentro deste grupo de rapazes podemos encontrar os mordomos, “Reis”, “Bispo”, “Vassais” e os meirinhos.

Pandorca: popular música ruidosa, desafinada e descompassada; charivari.

Ramo: estrutura de madeira coberta com roscos (ou roscas) e elementos decorativos, na qual se penduravam os chouriços e géneros provenientes das rondas.

Refeições comunitárias: existem dois tipos de refeições comunitárias, as exclusivistas e as generalistas. Nas primeiras só participa quem está directamente envolvido na festa. O melhor exemplo de refeições comunitárias generalistas é a Mesa de Santo Estêvão, na qual toda a população pode participar.

Regouguear: a acção de regouguear corresponde a gritos (ih-gu-gus) que os “caretos” soltam.

Rondas: são visitas cerimoniais que ocorrem em várias festas. Consoante a festa ou a ronda, podem ser momentos de alegria ou de maior disciplina. Existem vários tipos de rondas. As rondas nocturnas são transgressoras e limitam-se às casas dos rapazes envolvidos na festa. A ronda de alvorada visa juntar todos os rapazes da comunidade, e a de multas serve para penalizar aqueles que não compareceram na ronda de alvorada. – são rondas que se limitam a pontos específicos. A ronda de Boas Festas é generalizada e segue as rodas. Os mascarados podem estar presente nestas rondas, efectuando as suas conhecidas tropelias e, muitas vezes, obtém dinheiro de quem com eles se cruza.

Rosca ou rosco: bolo doce em forma circular.

Tarrachas: peças de madeira dispostas no eixo do carro que funcionam como travão.

Tisnar: mascarrar, enfarruscar.