Lazarim, Carnaval

Em Lazarim o Carnaval inicia-se cinco semanas antes do Domingo Gordo. Durante estes dias são feitos os peditórios para a construção dos compadres e são preparadas as quadras que se farão ouvir, na Terça-feira de Carnaval, no Testamento.

Na maioria das festas nas quais os mascarados são fulcrais, as mulheres não podem exercer a função de “caretos” (pelo menos até há alguns anos atrás). No entanto, em Lazarim, não só as mulheres podem envergar a máscara e a fato, como também pessoas que não são da localidade.

A festa começa na tarde do Domingo Gordo, quando surgem os primeiros “caretos”.

O testamento burlesco proferido por um rapaz e uma rapariga locais, são um momento bastante importante do Carnaval de Lazarim que ocorre na Terça-Feira de Carnaval (Terça-Feira Gorda). Estes dois jovens recitam, em praça pública, versos (geralmente quadras) previamente criados. A que se referem estes versos? Aos jovens solteiros da aldeia, e à exploração das diferenças entre rapazes e raparigas – a Comadre fala dos rapazes e o Compadre das raparigas –, bem como a elementos satíricos e jocosos – à crítica –, que fazem com o que os espectadores, que acorrem em massa a estes testamentos, se riam e divirtam.

Outro aspecto curioso destes testamentos é a atribuição de partes do corpo do burro e da burra àquele que está a ser satirizado.

A seguir aos testamentos serem pronunciados, ocorre uma espécie de cortejo – o compadre, a comadre e os mascarados do sexo masculino seguem à frente – até ao local em que a comadre e o compadre, representados por bonecos que já estavam presentes no testamento, serão simbolicamente queimados. Hoje em dia estes dois bonecos são compostos por pequenas peças de pirotecnia, o que faz com que dancem e rebentem.

Existe finalmente um concurso de máscaras. Todos os “caretos” participantes possuem um número – este está escrito num papel e é colocado em alguma parte do fato. No fim, será premiada a melhor máscara e, portanto, o melhor artesão. Convém aqui mencionar que as máscaras são feitas por artesões locais que colocam nas máscaras toda a sua criatividade.

O caldo de farinha e a feijoada de porco acompanhados pelo vinho são o jantar, oferecido a todos aqueles que participaram e assistiram aos sucessivos momentos da festa anteriormente descritos.

 

Caretos” de Lazarim

Em Lazarim, as máscaras dos “caretos” são feitas de madeira de amieiro, esculpidas à mão por artesãos. Possuem traços fisionómicos como os olhos, as orelhas e o nariz – por vezes exagerado. Podem ser compostas por barba (esculpida) – sempre pequena –, sobrancelhas, cornos ou chifres – estes podem ser bastante extensos, mais curtos, ou enrolados, à semelhança dos de um carneiro – e por vezes surge uma língua a sair da boca. Algumas têm serpentes no alto da cabeça, ou junto da boca, outras são embelezadas com chapéus. Alguns mascarados fazem-se acompanhar por um pau que pode ser liso ou trabalhado.

Algumas máscaras imitam animais, nomeadamente o porco.

Crê-se que ainda durante o século XIX as máscaras de madeira eram ornamentadas com bigodes e sobrancelhas feitas de pêlo de coelho. Outro elemento presente nas máscaras eram as cobras ou sardões (eram pendurados nas máscaras).

 

Fontes e Bibliografia:

LOPES, Aurélio, 2000, A Face do CaosRitos de Subversão na Tradição portuguesa, Alpiarça, Garrido artes gráficas.