Parada, Festa de Santo Estêvão

Em Parada a festa de Santo Estêvão ocorre no dia 26 de Dezembro, dia em que se leiloam as roscas que se encontram nos ramos (“charolo”) dos mordomos. Estes são quatro, dois do sexo masculino e dois do sexo feminino o que, indiscutivelmente, é algo recente.

Segundo o estudo de Benjamim Pereira o dia 26 de Dezembro começava com uma alvorada, à qual se seguia a missa e o ritual da mesa de Santo Estêvão. Obviamente, estes dois últimos momentos festivos mantêm-se.

À noite ocorria a "galhofa".

 

Mesa de Santo Estêvão ou mesa do bacalhau ou das sardinhas

Em Parada existiu uma mudança significativa no ritual da mesa de Santo Estêvão. Foi criada a mesa do povo, onde todos se podem sentar, ao contrário do que acontecia anteriormente – as pessoas ficavam de pé. São os mordomos que servem quem se encontra nesta mesa.

Existe uma mesa específica para as autoridades, ou seja, esta mesa é destinada àqueles que organizam a festa e nela participam activamente (os mordomos e o gaiteiro), bem como aos que são convidados, ao representante do poder religioso e, por exemplo, ao presidente da junta de freguesia.

É no final da refeição que se efectua a transmissão de poderes, após a qual os novos mordomos são aclamados e, por isso “dão uma volta à aldeia” (PEREIRA, 1973:86).

 

Surge, então, uma prova de virilidade e destreza física que visa testar os rapazes e pode ser considerada como sendo uma ronda. Os rapazes devem puxar um carro de bois, em cima do qual estão o padre, os novos mordomos e o o presidente da junta. O carro só deve parar na casa destes dois últimos.

No dia 28, após uma missa, faz-se um peditório para Santo Estêvão. Neste participam os mordomos, o gaiteiro e os “caretos”.

Realiza-se também a corrida da rosca, que já foi realizada nodia de Ano Novo. Esta pode ser feita por rapazes e, mais recentemente, por raparigas.

À noite é a vez da "galhofa". Esta realiza-se num curral e consiste numa luta corpo a corpo entre dois rapazes. As raparigas não podem assistir a este momento da festa.

Em ambas as provas de destreza, os vencedores partilham entre si o prémio.

No dia 28 de Dezembro, ocorria a “mascarada” na qual participavam três ou mais “caretos”.

Os ramos dos mordomos também são leiloados: um dia 25, outro dia 26, outro dia 27, o outro dia 28 e dia 30 um quinto ramo, que representa toda a mordomia. Em cada um destes dias, à noite, faz-se o chamado baile da rosca, no qual toda a população participa.

 

“Caretos” de Parada

O fato do “careto” é feito de antigas colchas de lã. É franjado e bastante colorido, e nele podemos encontrar bastantes chocalhos.

A sua máscara pode ser feita de três materiais: madeira, cortiça ou latão. Podem ser pintadas de preto ou vermelho, e podem ter uma língua a sair da boca.

A zona dos olhos é vazada, bem como a da boca.

A tiracolo podem usar um cinto com chocalhos.

Na mão usam uma espécie de moca e trazem ainda consigo uma maçã, na qual espetam as ofertas que lhes são dadas. Esta “moca [tinha] uma cabeça humana esculpida na ponta” (PEREIRA, 1973:86).

 

Fontes e Bibliografia:

PEREIRA, Benjamim, 1973, Máscaras Portuguesas, Lisboa, Museu de Etnologia do Ultramar.

PESSANHA, Sebastião, 1960, Mascarados e máscaras populares de Trás-os-Montes, com desenhos de Mily Possoz, Lisboa, Livraria Ferin.

TIZA, António Pinelo, 2004, Inverno Mágico, Ritos e Mistérios Transmontanos, Lisboa, Ésquilo.