Rio de Onor, Festa dos Reis e dos Rapazes (já não se realiza)

Nesta localidade a Festa dos Reis e a festa dos rapazes confundiram-se e, portanto, passaram a ser realizadas no mesmo dia, ou seja, no fim-de-semana que antecede o dia dos Reis (6 de Janeiro).

São os mordomos quem organizava a festa, demonstrando assim uma ligação comunitária entre aqueles que habitam Rio de Onor. Estes jovens eram escolhidos no Verão, a 24 de Junho, começando a exercer a sua função no dia 1 de Novembro, dia em que ocorria a recolha e o leilão das “Cepas das Almas”.

Alguns destes jovens vestiam-se de “caretos”. Existiam outras duas figuras: a “filandorra” – esta fazia-se acompanhar de uma roca e um fuso, e fiava durante toda a ronda –, e as “madamas” que a acompanhavam dançando – estas deixaram de sair à rua.

Os ritos propriamente ditos da festa começam com uma ronda (alvorada), que ocorre de madrugada. Esta serve para juntar todos os rapazes que irão participar na festa, bem como para avisar os habitantes do momento que se segue: o peditório, protagonizado por dois “caretos”, pela “filandorra”.

Estas figuras vão a todas as casas da vizinhança, a fim de receberem algo (geralmente alimentos compostos de carne de porco, tal como o chouriço). Quando tal não acontece, podem efectuar roubos simbólicos.

Os alimentos para o almoço são comprados pelos mordomos. As raparigas preparavam a vitela no dia anterior e eram os rapazes que, no próprio dia, preparavam a refeição (DIAS, 1884:178).

No jantar juntam-se as raparigas e toda a comunidade, que permanecem para a ceia e para o baile, momentos que eram exclusivos aos rapazes.

Pode-se dizer que o fim a festa ocorre com o momento em que se cantam os reis, de porta em porta.

Nas noites seguintes os rapazes podem-se juntar para consumir os alimentos que foram dados aos “caretos”.

Em Guadramil saía a Mandougueira (rapaz travestido com atributos femininos exagerados).

 

Fatos e máscaras

“Caretos”

Segundo Jorge Dias, os “caretos” de Rio de Onor vestiam um fato da antiga guarda-fiscal, embora já tenham tido fatos próprios. Este é adornado por fitas de inúmeras cores.

À cintura trazem chocalhos, e na mão usam luvas e envergam um bastão e um espeto da lareira.

As suas máscaras são feitas de folheta e, geralmente, no lugar das sobrancelhas e do bigode podemos ver pêlos verdadeiros (DIAS, 1984:178).

 

“Filandorra”

Esta figura não usava nenhuma máscara. No entanto, colocava um pano de renda branco na cara, a fim de manter o anonimato.

Usava um vestido.

 

Fontes e Bibliografia:

DIAS, Jorge, 1984, “Ritos de Passagem” e “As Festas Cíclicas do Ano”, Rio de Onor Comunitarismo Agro-Pastoril, 3ª ed., Editorial Presença: 177-201.

PEREIRA, Benjamim, 1973, Máscaras Portuguesas, Lisboa, Museu de Etnologia do Ultramar.