Vale de Porco, Festa do Natal ou do “Velho”

A festa do Natal ou do "Velho" ocorre no dia 24 à noite, na tarde de 25 de Dezembro e no dia 1 de Janeiro. Como acontece noutras festas, a sua organização fica a cargo de dois mordomos (jovens obrigatoriamente solteiros).

A festa inicia-se dia 8 de Dezembro com a nomeação dos mordomos que irão exercer funções e organizar a festa, e com a comemoração do “vinho da pandorca”. Esta é um cortejo nocturno, efectuado pelos jovens e pelo gaiteiro, no qual, e como o nome indica, é provado vinho – este é oferecido pelo “mordomo da pandorca” (TIZA, 2004: 175) – de forma livre que, muitas vezes, implica o excesso.

Uma figura que surge nesta zona é o “Velho”, também conhecido por “Chocalheiro” ou “Diabo”, que é geralmente “encenado” por ambos os mordomos, um em cada dia da festa. Agora multiplicada esta máscara é guardada pelos mordomos. É importantíssimo manter no segredo dos deuses qual é o jovem que enverga esta máscara. Só os mordomos sabem quem ele é. Por isso, o mascarado veste-se num sítio afastado da localidade.

Dia 24 de Dezembro os jovens recolhem lenha – quando esta é transportada para o largo principal de Vale de Porco surge o “Velho” – que servirá para acender uma fogueira que se deverá manter acesa durante vários dias. Depois de a acenderem fazem uma ronda nocturna, como forma de agradecimento àqueles que contribuíram para a fogueira.

Em geral a ronda pelas casas da vizinhança – ocorre 25 de Dezembro e a 1 de Janeiro –, primeiro acto cerimonial no qual participam os mordomos e o “Velho”, começa muito cedo, a fim de no final da missa as esmolas pedidas para a Senhora da Conceição, Nossa Senhora e o Menino Jesus, serem arrematadas. É o “Velho” que, durante a ronda alerta os moradores de que a mesma está a acontecer: em frente a cada casa o “Velho” salta – assim ouve-se o chocalho que tem na cintura –, grita e bate à porta. No entanto, esta função profana cessa no momento em que o morador sai de casa para dar uma esmola aos mordomos pois, após uma vénia, o mascarado retira a máscara e dá lugar ao mordomo.

Segue-se um leilão do que os mordomos e os “Velhos” obtiveram durante o peditório. O que receberem reverte para o Menino Jesus e para Nossa Senhora da Conceição.

Estas celebrações culminavam no momento em que se fazia a queima do “Velho”, ou seja, do passado.

 

“Velho”

Esta figura, que sai à rua em Vale de Porco, enverga uma máscara de madeira. Por sua vez, esta é pintada de vermelho. A sua boca é branca. Possui dois chifres pintados de preto e branco (na ponta). Do seu lado direito podemos ver uma salamandra e do lado esquerdo uma serpente.

O material usado para fazer o fato é a serapilheira.

Usa um chocalho na cintura.

 

Fontes e Bibliografia:

PESSANHA, Sebastião, 1960, Mascarados e máscaras populares de Trás-os-Montes, com desenhos de Mily Possoz, Lisboa, Livraria Ferin.

PEREIRA, Benjamim, 1973, Máscaras Portuguesas, Lisboa, Museu de Etnologia do Ultramar.

TIZA, António Pinelo, 2004, Inverno Mágico, Ritos e Mistérios Transmontanos, Lisboa, Ésquilo.

 

 

Vale de Porco, “Careto”ou“Tarangunho”

No dia de Natal usa um “fato macaco, de serapilheira” (PESSANHA, 1960:24), com chocalhos à cintura. A máscara é de madeira.

Esta figura “recolhe lenha – «trancos» – para a fogueira do Natal” (PESSANHA, 1960:24).

No dia 1 de Janeiro “pede esmola para o Menino Jesus e [para] Nossa Senhora da Conceição”. (PESSANHA, 1960:24)

Dia 6 de Janeiro volta a fazer este peditório, mas também “distribui castanhas cozidas”. (PESSANHA, 1960:24)

 

Fontes e Bibliografia:

PESSANHA, Sebastião, 1960, Mascarados e máscaras populares de Trás-os-Montes, com desenhos de Mily Possoz, Lisboa, Livraria Ferin.