Vinhais, Carnaval

Em Vinhais uma das principais figuras que sai à rua em dias específicos é o Diabo – esta figura pode ser conotada com a expulsão do Inverno. Hoje em dia, uns envergam esta máscara, consequentemente, este estatuto, para efectivar a tradição que se vem mantendo há vários anos – segundo o Padre Firmino Martins (PESSANHA, 1960:33), qualquer rapaz se podia mascarar de diabo –, outros, simplesmente, para fugirem à investida destas figuras que chicoteiam aqueles com quem se atravessam, sobretudo as raparigas, o que fez com que estas começassem a envergar esta máscara. Naturalmente, e como vemos acontecer actualmente em outras localidades, o facto de as raparigas assumirem a figura do mascarado representa uma alteração da tradição que, nalgumas zonas, acontece devido à falta de rapazes do sexo masculino e, no Carnaval de Vinhais ocorre pelas razões já apresentadas. Além das raparigas, também as crianças começam a envergar esta máscara.

Logo no final do dia de Carnaval, os Diabos saem à rua a fim de atormentar todos aqueles que se atrevem a andar nos espaços públicos da localidade.

A Morte – figura que pode muito bem ser representativa do fim do Inverno – junta-se aos Diabos na Quarta-feira de Cinzas, nesta deambulação que voltou a acontecer recentemente pelas ruas de Vinhais. Uma das referências mais antigas que se faz a estas duas figuras é do ano de 1877 e, como António Pinelo Tiza nos dá a conhecer, o Diabo juntou-se à Morte para a “defender […] de eventuais agressões” (TIZA, 2004:270). Hoje em dia, pelas ruas de Vinhais, se alguém se cruza com a Morte, é obrigado a ajoelhar-se e a beijar-lhe a gadanha, objecto indispensável para a Morte. O fato da Morte era alugado pela Ordem Terceira de São Francisco (PESSANHA, 1960:34).

Actualmente o comportamento destas duas figuras é muito mais contido, sendo o seu principal objectivo fustigar as raparigas que encontrem, chicoteando-as. A única fuga possível a estas investidas é, quem a elas quer fugir, refugiar-se na Igreja, local sagrado no qual os mascarados não entram. Estas figuras diabólicas e místicas chegavam mesmo a arrombar casas de mil e uma maneiras, a fim de retirar de lá as raparigas e levá-las até à pedra, onde eram punidas.

 

Diabos

As máscaras que os Diabos usavam eram feitas de pedaços de papel, armação de arame, chifres e dentes de madeira, maxilares salientes e de cortiça, barba espessa de pele de coelho. Podiam ser pintadas de preto e vermelho.

O fato do diabo era constituído por um casaco, por calças e por um gorro, todos de cor vermelha. Hoje em dia, é apenas constituído por um fato-macaco vermelho, com buracos na zona da boca, do nariz e dos olhos. No topo da cabeça este fato ostenta dois chifres. Deste modo apercebemo-nos de que, ao contrário do que acontecia, esta figura já não utiliza máscara.

 

Morte

Em 1960 a Morte usava um fato-macaco ou uma velha farda, no qual eram pintados, a branco, ossos. Esta figura andava sempre com uma gadanha (PESSANHA, 1960:34?).

 

Fontes e Bibliografia:

PEREIRA, Benjamim, 1973, Máscaras Portuguesas, Lisboa, Museu de Etnologia do Ultramar.

PEREIRA, Benjamim [coord.], 2006, Rituais de Inverno com Máscaras, Bragança, Instituto Português de Museus.

PESSANHA, Sebastião, 1960, Mascarados e máscaras populares de Trás-os-Montes, com desenhos de Mily Possoz, Lisboa, Livraria Ferin.

TIZA, António Pinelo, 2004, Inverno Mágico, Ritos e Mistérios Transmontanos, Lisboa, Ésquilo.

 

 

Travanca (Vinhais), festa dos “velhos” ou do Natal

Em Travanca, ocorria a festa dos “velhos” ou do Natal.

No dia 27 de Dezembro, quatro ou mais caretos”, juntamente com o gaiteiro, pediam esmola (esta era maioritariamente composta por alimentos). O dinheiro que recebiam recobria todas as despesas da festa.

Ocorria uma missa.

O baile também estava presente nesta festa: de tarde realizava-se no centro da aldeia e, à noite, num curral.

 

Fontes e Bibliografia:

PEREIRA, Benjamim, 1973, Máscaras Portuguesas, Lisboa, Museu de Etnologia do Ultramar.